Aug 21, 2023
Como um quadril
Quando Wilber “Wilpower” Urbina, de 12 anos, viu duas crianças dançando break pela primeira vez no MacArthur Park em 1982, ele sabia que precisava se envolver. “Foi a coisa mais legal que eu já vi, mas eu
Quando Wilber “Wilpower” Urbina, de 12 anos, viu duas crianças dançando break pela primeira vez no MacArthur Park em 1982, ele sabia que precisava se envolver.
“Foi a coisa mais legal que já vi, mas não sabia o que era porque nunca tinha visto antes”, lembra Urbina. “A música parecia muito estranha, mas interessante. A partir daí, tentei apenas copiar os movimentos que as crianças faziam.”
Cerca de um ano depois, Urbina ouviu falar de outras crianças sobre um novo lugar do outro lado da rua do MacArthur Park, onde as crianças podiam dançar break por horas por menos de 75 centavos.
Chamava-se Youth Break Center, Inc. ou mais conhecido como Radiotron.
Antes de o Radiotron se abrir para os jovens do bairro, era um espaço underground de vanguarda chamado Radio Club. Em The Come Up: An Oral History of the Rise of Hip-Hop, de Jonathan Abrams, o rapper e ator Ice-T lembra que o Radio Club era originalmente um espaço punk rock onde as pessoas subiam no palco e praticavam seu novo trabalho. Então o proprietário começou a trazer artistas de hip-hop da Costa Leste.
À medida que a presença fundamental do hip-hop na cidade de Nova York continuou a se desenvolver, mais pessoas começaram a experimentar música eletrônica, funk e R&B, bem como formas de dança como popping e locking em Los Angeles. A Rádio Clube tornou-se parte integrante desse novo movimento na cidade. Tornou-se um lugar para artistas emergentes trazerem o que viram da Costa Leste para o Oeste.
Ao mesmo tempo, esses inovadores culturais misturavam o estilo da Costa Leste com o ambiente, a estética e as atitudes da Costa Oeste, diz Jonathan Calvillo, professor de sociologia na Emory University e autor do próximo livro In The Time of Sky Rhyming: How Hip Hop ressoou em Brown Los Angeles.
Calvillo diz que quando os proprietários trouxeram Ice-T como mestre de cerimônias no Radio Club, isso solidificou o local como um espaço de hip-hop e trouxe mais pessoas de cor.
Antes de ser o rapper gangster original e antes de se tornar o detetive Odafin Tutuola em Law & Order: Special Victims Unit, Ice-T apareceu nos filmes de breakdance de Los Angeles no início dos anos 1980 como mestre de cerimônias e dançarino - o documentário 'Breakin 'n' Enterin' e o agora filmes clássicos Breakin' e Breakin' 2: Electric Boogaloo, todos ambientados no Radio Club.
“O Ice-T trouxe mais credibilidade nas ruas locais”, diz Calvillo.
Kurtis Blow e Kid Frost também visitaram a Rádio. O DJ Chris “The Glove” Taylor, que frequentemente tocava lá, escreveu sobre como Michael Jackson recrutou alguns de seus dançarinos para Thriller from Radio. Era um lugar onde até celebridades como Madonna iam para conferir as últimas tendências.
Então, em 1983, Carmelo Alvarez, um jovem dançarino mexicano-americano que sonhava em abrir um centro de artes performáticas no bairro de sua infância, MacArthur Park, decidiu alugar um escritório do proprietário do prédio ocupado pela Rádio. Segundo conta Alvarez, o proprietário pediu-lhe então que administrasse o prédio. Foi sua oportunidade de criar aquele espaço de atuação para crianças.
Alvarez foi criado na área do Parque MacArthur, onde foi influenciado por gangues. Ele se lembra de um professor de arte que o incentivou a tentar dançar no Barnsdall Art Center e no Junior Arts Center. Lá ele conheceu o veterano diretor artístico e coreógrafo Chester Whitmore, que convidou Alvarez para fazer parte de sua trupe de sapateado. Também fez parte do LA Inner City Cultural Center e fez turnê com Lula Washington em uma companhia de dança.
Ele se lembra de ter visto o breakdance na cidade de Nova York em 1980 como um momento crucial para ele. “O hip-hop é o veículo”, explica Alvarez. “O principal importante era a juventude.”
Alvarez diz que originalmente tinha um plano de jogo totalmente diferente para o centro juvenil, mas as crianças tinham visto o que estava acontecendo no Radio Club. As crianças estavam ansiosas para dançar break.
A rádio renasceu como Radiotron em 1983, quando os produtores de Breakin' abordaram Alvarez. Eles nomearam o clube no filme “Radiotron” e pegou.
A arte também. A equipe deixou para trás o grafite que fazia parte da cenografia do filme. Alvarez achou que isso trazia cor e luz ao espaço, então o manteve. “Eu disse 'não, não, não. Deixe isso em paz'. Antes era tudo escuro e preto”, lembra Alvarez.

